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Valor por extenso em reais: regras para contratos, recibos e cheques

O valor por extenso é a parte do documento que ninguém revisa e que mais gera divergência com os algarismos. Veja as regras de escrita, os erros que se repetem e uma forma simples de conferir antes de assinar.

Por que o extenso importa

Em contratos, recibos e cheques, o valor aparece duas vezes: em algarismos e por extenso. A ideia é uma conferir a outra. Quando as duas divergem, o documento passa a ter um problema, e quem resolve a divergência já não é você. Por isso vale escrever com cuidado e conferir com método.

Aviso: este guia trata de escrita e conferência. Não é aconselhamento jurídico. Para contratos relevantes, valide o texto com quem responde por ele na sua empresa.

Regra 1: reais, centavos e o conectivo e

A parte inteira leva real (singular só para um) ou reais. Os centavos vêm depois, ligados por e. A mesma lógica de singular e plural vale para centavo e centavos.

Zero reais com centavos escreve-se só com os centavos ("um centavo"), como a ferramenta faz.

Regra 2: cem e cento

Cem é só o número cem, exato. A partir de 101, usa-se cento. Exemplos conferidos na ferramenta de valor por extenso:

100     -> cem reais
101     -> cento e um reais
101000  -> cento e um mil reais
100000  -> cem mil reais

Erro frequente: escrever "cem e um reais" ou "cento reais".

Regra 3: o e entre as classes

O e liga dezenas e unidades (vinte e um) e centenas a dezenas (cento e dez). Entre as classes (milhar, centena), a convenção usada pela ferramenta é pôr o e só quando o bloco final é uma centena exata ou tem menos de cem (mil e cem, mil e um); nos demais casos o e não entra entre as classes. Veja o que a ferramenta produz:

1001     -> mil e um reais
1100     -> mil e cem reais
1234,56  -> mil duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e seis centavos
2500003  -> dois milhões quinhentos mil e três reais

Note o contraste: 1.100 leva "e" (mil e cem), 1.234 não leva entre mil e duzentos (mil duzentos e trinta e quatro). Existem variações de estilo, e alguns manuais escrevem de forma diferente; se o seu modelo de contrato exige um padrão, siga o do modelo e use o mesmo em todo o documento.

Regra 4: mil nunca é "um mil"

O valor 1.000 é mil reais, não "um mil reais". A partir de 2.000 o numeral vem antes: dois mil, vinte e um mil. O plural de milhão muda: um milhão, dois milhões.

Regra 5: o "de reais" nos milhões e bilhões

Quando o valor é exatamente milhões ou bilhões, sem milhares ou unidades depois, a convenção é usar de antes de reais. Se há complemento, o "de" some:

1000000     -> um milhão de reais
2000000,50  -> dois milhões de reais e cinquenta centavos
1000001     -> um milhão e um reais
1100000     -> um milhão e cem mil reais

Esse é o ponto em que mais gente erra, porque "um milhão e um reais" soa estranho. Se o texto for usado em documento formal, confirme a convenção adotada pela sua área.

O que a lei diz sobre divergência

Em cheque, a Lei do Cheque (Lei 7.357/1985, art. 12) diz que, feita a indicação da quantia em algarismos e por extenso, prevalece esta no caso de divergência, isto é, o extenso. E se a quantia for indicada mais de uma vez, por extenso ou por algarismos, prevalece a menor quantia. Confira o texto na fonte.

Para recibos, o Código Civil (art. 320) diz que a quitação deve designar o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor. Este guia não afirma qual regra vale em contratos em geral: isso depende do tipo de documento e deve ser confirmado com o responsável jurídico.

Erros comuns, em uma lista

Exemplo completo, calculado

Parcela de contrato de R$ 12.480,05:

12480,05 -> doze mil quatrocentos e oitenta reais e cinco centavos

Passo a passo: 12.000 vira "doze mil"; 480 vira "quatrocentos e oitenta" (o e liga centena a dezena); os cinco centavos vêm depois de "reais e". Uma conferência rápida: leia o extenso em voz alta e escreva o número que ouviu. Se der 12.480,05, bateu.

Método de conferência

  1. Digite o valor em algarismos na ferramenta, no formato brasileiro (1.234,56).
  2. Compare o extenso gerado com o do documento, palavra por palavra.
  3. Em contratos parcelados, confira também a soma das parcelas na calculadora de parcelas, porque o resto de centavos costuma cair na última.
  4. Se o valor veio de planilha, cheque o formato do número com o conversor de números BR antes de gerar o texto.

Para gerar e conferir o valor por extenso em reais, use a ferramenta Valor por extenso: roda no navegador e aceita o valor no formato brasileiro.

Ferramentas para usar com este guia

Fontes oficiais