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Juros compostos: como calcular e conferir uma simulação

Juros compostos são juros sobre juros, e é por isso que 1% ao mês não dá 12% ao ano. Veja a fórmula, como converter taxa mensal em anual (e o contrário), o efeito dos aportes e um roteiro para conferir qualquer simulação.

O que são juros compostos

Segundo o Glossário Simplificado de Termos Financeiros do Banco Central, nos juros compostos o valor dos juros de um período (dia, mês, ano) é acumulado ao saldo da dívida ou do investimento e entra no cálculo dos juros do período seguinte. O mesmo glossário afirma que a imensa maioria das operações do mercado, como aplicações, empréstimos e financiamentos, usa esse regime. Nos juros simples, ao contrário, os juros de cada período são sempre calculados sobre o valor inicial.

A fórmula do valor final, sem aportes, é:

VF = VP × (1 + i)^n

onde VP é o valor inicial, i é a taxa por período (em decimal, 1% = 0,01) e n é o número de períodos. O ponto que mais gera erro: i e n precisam estar na mesma unidade. Taxa ao mês pede prazo em meses.

Exemplo: R$ 1.000 a 1% ao mês

Resultados obtidos com o código da calculadora de juros compostos do Me Ajuda Flow:

Note que os juros crescem todo mês, porque a base de cálculo cresce. Em juros simples, seriam R$ 10,00 todo mês e R$ 1.120,00 no fim de 12 meses.

Por que 1% ao mês não é 12% ao ano

Dividir ou multiplicar a taxa linearmente (12% ao ano dividido por 12 dá 1% ao mês) vale para juros simples. Em juros compostos, a conversão correta usa potência. A taxa anual equivalente a uma taxa mensal i é:

anual = (1 + i)^12 - 1

E o caminho inverso, da taxa anual para a mensal equivalente, é:

mensal = (1 + anual)^(1/12) - 1

Valores calculados com as funções do projeto:

Prova pelo caminho contrário: R$ 1.000 a 0,9489% ao mês durante 12 meses chegam a R$ 1.120,00, exatamente 12% ao ano. Por isso, quando um contrato ou um anúncio trouxer taxa mensal e anual lado a lado, confira se a anual é a equivalente (12,68% para 1% ao mês) ou apenas a mensal multiplicada por 12. As duas aparecem na prática, e o texto do contrato deve dizer qual foi usada.

Aportes mensais

Com aporte fixo PMT ao fim de cada mês, o valor final fica:

VF = VP × (1 + i)^n + PMT × ((1 + i)^n - 1) / i

Essa versão supõe que o aporte entra no fim do mês, depois dos juros daquele mês. Se a sua simulação põe o aporte no início, o resultado será maior, e a diferença vem só dessa convenção.

Exemplo calculado: R$ 1.000 iniciais mais R$ 200 por mês, a 1% ao mês, por 12 meses:

Só com os aportes, sem valor inicial, são R$ 2.400,00 investidos e R$ 2.536,49 no fim, ou R$ 136,49 de juros. Aportes recentes rendem pouco, porque tiveram poucos meses de juros. O efeito pesa mesmo em prazos longos.

Juros compostos contra juros simples

O próprio Glossário do Banco Central traz um exemplo de dívida: R$ 1.000 no rotativo a 10% ao mês. No segundo mês, os juros de 10% incidem sobre R$ 1.100 e a dívida vai a R$ 1.210. Em 12 meses, o glossário informa R$ 3.138,43 em juros compostos contra R$ 2.200,00 em juros simples, uma diferença de R$ 938,43.

Refazendo o exemplo no código do projeto: dois meses dão R$ 1.210,00, como no glossário. Em 12 meses, a fórmula fechada dá R$ 3.138,43, igual ao glossário, e a simulação mês a mês dá R$ 3.138,44. A diferença de um centavo existe porque a simulação arredonda os juros de cada mês para centavos, como faz uma parcela real, e a fórmula não arredonda nada. Em uma conferência, uma diferença de poucos centavos costuma ser arredondamento, não erro.

Outra observação do glossário: com um único período de capitalização, juros simples e compostos dão o mesmo valor. A diferença só aparece a partir do segundo período.

Como conferir uma simulação

  1. Unidades iguais. Taxa ao mês com prazo em meses. Se a taxa é anual, converta com (1 + anual)^(1/12) - 1 antes de simular em meses.
  2. Taxa em decimal. Use 0,01, não 1, na fórmula. Esquecer de dividir por 100 é o erro mais comum em planilha.
  3. Primeiro mês. Calcule à mão: valor inicial vezes a taxa. R$ 1.000 a 1% dá R$ 10,00. Se o primeiro mês já difere, o problema é de entrada.
  4. Fórmula fechada. Compare o saldo final com VP × (1 + i)^n. Diferença de centavos é arredondamento. Diferença de reais indica outra taxa, outro prazo ou outra convenção de aporte.
  5. Aporte no fim ou no início. Descubra qual convenção a ferramenta usa antes de comparar duas simulações.
  6. Taxas e impostos. A fórmula é bruta. Tarifas, IOF, imposto de renda e inflação mudam o resultado real e dependem de cada produto. Confirme essas regras na fonte do produto.

Financiamento: o mesmo princípio

A Calculadora do Cidadão do Banco Central descreve o financiamento com prestações fixas como regime de juros compostos com capitalização mensal. A relação publicada é q0 = ((1 - (1 + j)^-n) / j) × p, em que q0 é o valor financiado, j a taxa mensal, n o número de meses e p a prestação. A página explica que a taxa j é obtida por aproximação a partir do valor da prestação. Ou seja, a mesma lógica da potência vale quando você descobre a taxa efetiva de uma parcela anunciada.

Uma regra para guardar

Em juros compostos, tempo pesa mais que valor. R$ 100 a 1% ao mês por 120 meses chegam a R$ 330,04, mais que o triplo, sem nenhum aporte. Isso vale para investimento, e vale com a mesma força contra quem deve: dívida em atraso a juros altos cresce do mesmo jeito.

Para simular o seu caso, com valor inicial, aporte, taxa mensal ou anual e tabela mês a mês, use a ferramenta Juros compostos do Me Ajuda Flow. Para converter percentuais, veja Porcentagem, e para prestações de parcelamento, Financiamento.

Ferramentas para usar com este guia

Fontes oficiais